As relações entre ópera e literatura são tão antigas como a própria ópera. Em primeiro lugar, porque uma parte da ópera – o libreto – é ela própria literatura, e porque muitos libretos derivam mais ou menos directamente de peças de teatro, romances ou novelas pré-existentes, sendo numerosas as óperas inspiradas nos clássicos gregos e latinos, em Shakespeare, Goethe, Schiller, Victor Hugo, Puchkin ou Maeterlinck, para citar apenas alguns exemplos.
Revisitaremos alguns momentos-chave dessa longa história, com destaque para as interacções de ópera e literatura na era pós-wagneriana, as quais, por sua vez, estiveram na base de novas concepções da dramaturgia musical desenvolvidas a partir da viragem do século XIX para o XX.